O código raramente é o que atrasa
Quem já contratou um site novo conhece a cena. O layout foi aprovado em duas semanas, o desenvolvimento andou, e o projeto parou três semanas esperando o texto da página "Quem somos". Depois mais uma, porque alguém lembrou que o site antigo tinha uma página de licitações que não podia sumir.
A gente vê isso com frequência na GUSTA, e por isso este guia começa pelo que costuma travar, não pela tecnologia. São seis etapas, o que cada uma precisa para andar e, no fim, a lista do que a empresa tem que receber quando o site vai ao ar.
As seis etapas, na ordem que funciona
1. Briefing e mapa do site. Para que serve o site, quem vai usar e quais páginas existem. Se já há um site no ar, esta etapa inclui a lista do que migra, do que morre e do que muda de endereço.
2. Conteúdo e estrutura. Texto real antes do layout. Parece burocrático, mas um título de três palavras e um de doze pedem desenhos diferentes. Wireframe das páginas principais entra aqui.
3. Design. Aprovado no celular e no desktop, não só na tela grande da reunião. Contraste e tamanho de letra entram nesta conversa, não depois.
4. Desenvolvimento. Código, formulários, integrações, redirecionamentos do site antigo e as ferramentas de medição.
5. Testes. Lighthouse, leitor de tela, navegação só com teclado e celulares de verdade, de preferência um aparelho mais simples.
6. Publicação e entrega. O site vai ao ar e a empresa recebe tudo no nome dela. Deixei o detalhe para o fim do texto, porque é a etapa mais maltratada.
Por que o texto vem antes do layout
Layout feito com texto de mentira fica bonito na apresentação e quebra na primeira semana. O botão foi desenhado para "Saiba mais" e o texto real é "Solicite uma demonstração gratuita". O título cabia em duas linhas e o real ocupa quatro no celular.
Quando o conteúdo ainda não existe, vale combinar desde o briefing quem escreve cada página e até quando. Se for a própria empresa, a data de entrega do texto é uma data do projeto, com o mesmo peso de qualquer outra.
O que a lei pede, e o que o bom senso pede junto
Acessibilidade é obrigação legal. A Lei Brasileira de Inclusão diz, no artigo 63:
Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.
Na prática, isso quer dizer contraste suficiente, texto alternativo nas imagens, formulário que funciona com leitor de tela e site navegável sem mouse. O Lighthouse ajuda a achar boa parte dos problemas, mas não todos. Teste com leitor de tela continua sendo trabalho de gente.
Privacidade tem que aparecer. Site que usa ferramentas de análise ou publicidade precisa de política de privacidade clara e de um jeito de o visitante recusar o que não é essencial. O que exatamente o seu site precisa depende do que ele coleta, e essa conversa inclui o jurídico da empresa.
HTTPS em todas as páginas. O certificado hoje é gratuito na maioria das hospedagens. Não tem desculpa.
Desempenho: meça no celular
O Google usa três métricas para dizer se a experiência de uma página é boa, as Core Web Vitals. Os limites abaixo são os que o próprio Google considera bons, medidos em 75% das visitas:
| Métrica | O que mede | Bom |
|---|---|---|
| LCP | Tempo até o maior elemento da tela aparecer | Até 2,5 segundos |
| INP | Tempo de resposta a um toque ou clique | Até 200 milissegundos |
| CLS | Quanto a página "pula" enquanto carrega | Até 0,1 |
O erro comum é testar só no computador do escritório, com fibra. Faça o teste também num celular intermediário, no 4G, e no modo mobile do PageSpeed Insights.
Plataforma pronta ou site feito do zero?
Para a maioria dos sites institucionais, uma plataforma conhecida resolve bem, seja WordPress, Webflow ou outra. O ponto de virada aparece quando o site precisa conversar com sistemas da empresa, ter regras próprias ou aguentar volume que a plataforma não aguenta. No e-commerce, essa decisão está detalhada no guia de e-commerce sob medida com IA. Para sistemas que vão além do site, o artigo sobre IA sob medida para empresas ajuda a decidir.
A escolha da plataforma também decide onde o site vai morar. Se essa é a dúvida, o comparativo entre hospedagem compartilhada, VPS e nuvem explica o que muda em custo e em trabalho.
O que você precisa receber no final
Essa é a parte que a gente mais vê dar errado, e quase sempre só aparece anos depois, quando a empresa quer trocar de fornecedor.
- Domínio registrado no CNPJ da empresa, com o e-mail de alguém da casa como contato.
- Hospedagem numa conta da empresa, ou no mínimo com acesso de administrador para ela.
- Código-fonte e acesso ao repositório, se o site foi desenvolvido.
- Usuário administrador do painel, não só um usuário de editor.
- Google Search Console e Google Analytics com a empresa como proprietária.
- Redirecionamentos do site antigo. Endereço que muda sem redirecionamento perde a posição que tinha no Google. Aqui no gusta.click, as páginas do tempo em que o site tinha /pt/ no endereço ainda redirecionam para as novas.
- Um documento curto dizendo onde está cada coisa e como publicar uma alteração.
Nos nossos cases, a entrega segue esse desenho. A Alto Giro teve a experiência de compra implementada para funcionar bem em diferentes telas. A Vixting segue com suporte contínuo ao site depois da publicação.
Depois que o site vai ao ar
Site publicado não é site pronto. Plugins pedem atualização, o PHP envelhece, um formulário para de enviar e ninguém percebe por duas semanas. O que entra num contrato de acompanhamento está no guia de hospedagem e manutenção de site.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para criar um site de empresa?
Depende menos do número de páginas e mais de três coisas: conteúdo pronto, decisões rápidas e integrações. Um site institucional com texto entregue no prazo anda rápido. Um site que depende de migrar conteúdo antigo e integrar com sistemas internos leva mais, e o cronograma precisa dizer isso desde o começo.
Preciso entregar o texto pronto?
Não necessariamente, mas alguém precisa escrever. Se for a empresa, a data de entrega do conteúdo entra no cronograma. Se for o fornecedor, o custo de redação entra na proposta.
WordPress ainda vale a pena?
Para muitos sites institucionais, sim. Ele é conhecido, tem muita gente que sabe mexer e aguenta bem um site de empresa. O cuidado é com excesso de plugins, que viram manutenção e risco de segurança.
O site fica no meu nome?
Deveria. Domínio no CNPJ da empresa, hospedagem numa conta da empresa e acesso de administrador para alguém da casa. Se o contrato não diz isso, vale pedir antes de assinar.
O que acontece com o site antigo?
Ele sai do ar no dia da troca, mas os endereços antigos precisam redirecionar para os novos. Sem isso, a empresa perde as posições que o site antigo tinha no Google.
CTA
Vai criar ou refazer o site da sua empresa? Fale com a GUSTA e a gente monta o projeto com as etapas, o prazo e a lista de entrega por escrito desde a proposta.
Comentários
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.