Três serviços numa frase só
Um pedido de proposta bem comum hoje tem uma linha de escopo: "serviço de hospedagem, manutenção e atualização do conteúdo de website pelo período de 12 meses". Parece claro. Não é.
Cabem três serviços nessa frase, com custos e riscos bem diferentes. Um fornecedor lê "hospedagem" e cota um plano de servidor. Outro lê "manutenção" e cota uma equipe de plantão. Um terceiro lê "atualização de conteúdo" e imagina duas trocas de banner por mês. As três propostas chegam no mesmo dia, com valores que não conversam entre si, e quem pediu fica sem ter como comparar.
Este texto serve para os dois lados da mesa, quem escreve o pedido e quem responde. Tem o que cada parte significa, um modelo de escopo e o que acontece num mês normal de manutenção, com exemplos do próprio gusta.click.
O que cada palavra do pedido quer dizer
Hospedagem é onde o site mora: servidor, domínio, DNS e certificado SSL. É a parte mais barata e a mais fácil de comparar, porque tem preço de tabela.
Manutenção é manter tudo isso funcionando e seguro. Atualizar o sistema e os plugins, acompanhar a versão do PHP, fazer backup e testar se ele volta, monitorar se o site está no ar, corrigir quando algo quebra. Um exemplo com data: o PHP 8.2, ainda comum em hospedagem compartilhada, para de receber correções de segurança em 31 de dezembro de 2026. O custo aqui é hora de gente.
Atualização de conteúdo é trabalho editorial com mão técnica. Trocar texto, publicar notícia, subir banner, criar uma página nova de vez em quando. O custo depende de volume e prazo, e é o item que mais gera discussão no meio do contrato.
Juntar os três num preço único não tem problema nenhum. O problema é não dizer quanto de cada um está incluído.
Um modelo de escopo que dá para comparar
| Item | O que escrever no pedido | Como medir |
|---|---|---|
| Hospedagem | Onde fica e quem é o titular da conta e do domínio | Conta e domínio no nome da empresa |
| Backup | Frequência, onde fica guardado e por quanto tempo | Teste de restauração com data |
| Atualizações | Sistema, plugins, tema e versão do PHP | Registro mensal do que foi atualizado |
| Disponibilidade | Monitoramento e prazo para reagir quando o site cair | Alertas e tempo de resposta |
| Correções | O que conta como falha e o prazo para corrigir | Chamados abertos e fechados |
| Conteúdo | Quantas alterações por mês e em quanto tempo | Pedidos atendidos no prazo |
| Relatório | Desempenho, acessibilidade, SEO e incidentes | Relatório mensal |
Um pedido que traz só essa tabela preenchida já recebe propostas muito mais parecidas entre si. E quem responde consegue dizer o preço de cada linha, em vez de chutar um número fechado.
Como é um mês de manutenção de verdade
Vou usar o nosso próprio site, que é o exemplo que eu tenho com data. Em setembro de 2026, o gusta.click passou por quatro coisas que só apareceram porque alguém estava olhando.
Arquivo velho entregue pela CDN. Depois de uma atualização no dia 15, o site continuou entregando uma versão antiga de um arquivo JavaScript. O servidor tratava todo arquivo .js como imutável por um ano, o que faz sentido para arquivos com versão no nome, mas não para aquele. A saída foi colocar a versão na URL e dar um cache de uma hora só para ele.
Acessibilidade caindo sem ninguém ver. Na mesma semana, o Lighthouse passou a marcar 96 de acessibilidade em todos os posts do blog. Eram dois textos pequenos com contraste baixo, um deles num componente que aparece em todas as páginas. Ninguém tinha reclamado. Corrigido, voltou a 100.
Dado estruturado inválido. No dia 19, uma ferramenta de SEO apontou erro em oito páginas de produto: faltava o preço dentro da oferta que o site descreve para o Google. Corrigimos e validamos no teste de resultados avançados no mesmo dia.
Publicação que falhou. Uma das publicações automáticas deu tempo esgotado na conexão com o servidor. Rodou de novo e passou. Parece bobagem, mas se ninguém confere, a versão anterior fica no ar e todo mundo acha que a alteração foi feita.
Nenhum desses casos derrubou o site. Todos iam custar visita, posição no Google ou credibilidade se ficassem ali por meses. Manutenção é basicamente isso, um monte de coisa pequena que alguém precisa ver antes do cliente.
O relatório precisa mostrar o que não está bom
O relatório da imagem acima é de verdade e não está todo verde. As práticas recomendadas ficaram em 78 porque o site usa uma ferramenta de análise de comportamento que grava cookies de terceiros. É uma troca que a gente fez de propósito: perde pontos ali e ganha gravações de sessão que mostram onde as pessoas travam na página.
Relatório que só mostra número bonito não ajuda a decidir nada. O que vale pedir é simples: os números do mês, o que mudou em relação ao mês anterior, o que foi corrigido, o que ficou pendente e por quê.
Atualização de conteúdo: combine volume e prazo
É na parte editorial que o contrato mais briga. Três combinados evitam quase toda discussão.
- O que conta como uma alteração. Trocar um texto é uma. Criar uma página nova com formulário são várias.
- Em quanto tempo. Um prazo em dias úteis, contado a partir do pedido com o material completo.
- Quem aprova. Um nome do lado da empresa. Sem isso, a publicação fica parada esperando.
Quando o site publica com frequência, como no case da Vixting, ele deixa de ser um projeto com começo e fim e vira rotina da operação. Aí o contrato precisa refletir a rotina, não o lançamento.
Quanto custa
| Item | Referência em setembro de 2026 | Detalhe |
|---|---|---|
| Domínio .com.br | R$ 40 por ano | Valor cobrado pelo Registro.br |
| Certificado SSL | Grátis | Let's Encrypt, incluído na maioria das hospedagens |
| Hospedagem compartilhada, plano de entrada | R$ 5,90 a R$ 10,09 por mês | Promoção de Hostinger, Locaweb, HostGator e KingHost, com contrato de 24 a 48 meses |
| VPS, plano de entrada | R$ 15,90 a R$ 32,90 por mês | Mesmas empresas, sem contar quem administra o servidor |
Os valores de hospedagem são promocionais e dependem de contrato longo. Quando a página mostra o preço de renovação, ele fica de duas a quatro vezes acima. O detalhe por empresa está no comparativo de hospedagem compartilhada, VPS e nuvem.
A hospedagem é a menor parte da conta. O que pesa é a hora de gente: quem atualiza, quem testa, quem responde quando cai e quem publica o conteúdo. Por isso as propostas costumam vir em um destes formatos.
- Mensalidade com pacote de horas. Previsível para os dois lados. Vale conferir o que acontece com as horas que sobram e com as que faltam.
- Banco de horas. Bom para quem tem demanda irregular. Precisa de relatório claro de consumo.
- Por demanda. Barato no mês parado e caro no mês de problema. Raramente combina com um pedido de 12 meses.
Quando quem pede é um órgão público
Pedido de cotação com prazo curto e escopo de uma linha é comum em pesquisa de preços de órgão público. Nesse caso, o escopo detalhado ajuda todo mundo, porque a comparação entre propostas é exigência da própria regra.
A Lei 14.133/2021, que rege as contratações públicas, traz entre os parâmetros para estimar o preço de uma contratação a pesquisa direta com fornecedores:
"IV - pesquisa direta com no mínimo 3 (três) fornecedores, mediante solicitação formal de cotação, desde que seja apresentada justificativa da escolha desses fornecedores e que não tenham sido obtidos os orçamentos com mais de 6 (seis) meses de antecedência da data de divulgação do edital;"
Na administração federal, a Instrução Normativa SEGES/ME nº 65/2021 lista o mínimo que a proposta do fornecedor precisa ter: descrição do objeto com valor unitário e total, CPF ou CNPJ de quem propõe, endereço físico e eletrônico, telefone, data de emissão e nome completo do responsável. Estados e municípios podem ter regulamento próprio, então vale conferir qual regra vale para quem está pedindo.
Para quem pede, a tabela de escopo acima é o jeito mais simples de receber cotações comparáveis. Para quem responde, vale mandar a proposta com preço por item, validade e o que está fora do escopo escrito com todas as letras.
Site novo ou servidor em dúvida?
Se o site ainda vai ser feito, ou refeito, o guia de criação de site para empresa mostra o que precisa estar pronto antes de chegar à manutenção. E se a dúvida é onde o site vai morar, o comparativo de hospedagem compartilhada, VPS e nuvem explica o que muda em custo e em trabalho.
Perguntas frequentes
Posso contratar só a hospedagem?
Pode, e para site pequeno com pouca mudança às vezes faz sentido. O ponto é saber que atualização, backup testado e correção de falha não vêm junto com o plano de hospedagem, e alguém vai precisar fazer isso.
O domínio tem que ficar no nome de quem?
No da empresa, com CNPJ e um e-mail de alguém da casa como contato. Domínio registrado no nome do fornecedor é a causa mais comum de dor de cabeça quando a empresa decide trocar de prestador.
O que acontece se eu trocar de fornecedor no meio do contrato?
Depende do que o contrato diz sobre saída. Vale prever a entrega de backup completo, acessos, código e documentação, com prazo, para a troca não virar refém de ninguém.
De quanto em quanto tempo o backup deve rodar?
Para a maioria dos sites de empresa, diariamente, com cópia guardada fora do servidor do site. E pelo menos um teste de restauração de vez em quando, porque backup que nunca voltou não é garantia.
Manutenção inclui criar página nova?
Só se o contrato disser. Criar página costuma entrar como atualização de conteúdo, com limite por mês, ou como projeto à parte. O importante é estar escrito antes de o pedido chegar.
Fontes
Preços e normas consultados nas páginas oficiais em 23 de setembro de 2026: Registro.br, Let's Encrypt, Hostinger, Locaweb, HostGator, KingHost, Lei 14.133/2021 e IN SEGES/ME nº 65/2021.
CTA
Tem um pedido de hospedagem, manutenção e atualização de site para responder, ou quer escrever um que traga propostas comparáveis? Fale com a GUSTA. A gente devolve a proposta item por item, com prazo e relatório definidos no contrato.
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