O medo é justo

Todo mundo conhece uma história de site novo que estreou bonito e perdeu metade das visitas do Google no mês seguinte. Quase sempre o motivo é o mesmo, e é meio bobo: os endereços antigos deixaram de existir e ninguém avisou o Google para onde eles foram.

Migração de site dá medo com razão, mas o risco é bem conhecido e dá para controlar. O que segue é o passo a passo que a gente usa na GUSTA, com as recomendações do próprio Google e com exemplos tirados do servidor do gusta.click.

Linha do tempo com sete passos de uma migração de site: inventário, mapa de redirecionamento, homologação, DNS e e-mail, virada, primeiras duas semanas e um ano depois
Os sete passos. Os dois últimos são os mais esquecidos, porque o site novo já está no ar e todo mundo relaxa.

Nem toda migração é igual

Tipo O que muda Risco para o SEO
Troca de hospedagem Só o servidor. Os endereços continuam os mesmos Baixo, se nada sair do ar
Troca de plataforma ou de layout Endereços, títulos e estrutura das páginas Médio. Depende do mapa de redirecionamento
Troca de domínio Tudo passa a morar em outro endereço Alto. Pede a ferramenta de mudança de endereço do Search Console

Vale descobrir em qual linha o projeto está antes de qualquer outra coisa. Muita empresa trata uma troca de plataforma como se fosse só uma troca de visual, e é aí que os endereços mudam sem ninguém perceber.

Antes de tudo: o inventário

Não dá para redirecionar o que você não sabe que existe. A lista de endereços do site atual sai de quatro lugares:

  • o sitemap, que é a lista oficial;
  • o relatório de páginas do Search Console, que mostra o que o Google realmente conhece;
  • o Google Analytics, para saber quais páginas recebem visita;
  • o relatório de links do Search Console, para achar as páginas que outros sites apontam.

Essa última lista é a mais valiosa. Página antiga com link de fora carrega autoridade, e é a primeira que precisa de um destino certo.

O mapa de redirecionamento

Para cada endereço antigo, um endereço novo equivalente. Um a um. Mandar tudo para a página inicial parece mais simples e é o pior caminho, porque o Google trata isso como página que sumiu.

O tipo do redirecionamento importa. A documentação do Google recomenda usar redirecionamento permanente sempre que possível, como o 301 e o 308, porque é ele que sinaliza qual endereço deve ser considerado o oficial.

O ideal é que cada endereço antigo chegue ao novo em um salto só. Veja o que o servidor do gusta.click responde hoje em cinco situações:

Terminal com cinco respostas reais do servidor do gusta.click: quatro redirecionamentos 301 em um único salto e uma resposta 404 para página inexistente
Respostas reais do gusta.click em 7 de outubro de 2026. Quatro redirecionamentos de um salto só e um 404 de verdade.

Endereço sem HTTPS, com www, com o /pt/ que o site usava antigamente ou sem a barra no final: todos caem no endereço certo com um único 301. E endereço que não existe devolve 404, em vez de fingir que é a página inicial.

Nem sempre foi assim. Até agosto, o arquivo de regras do servidor tinha uma regra de barra final que repetia o que o próprio servidor já fazia sozinho. Na prática, ela só acrescentava um salto antes do 404 em endereço que nem existia, e as auditorias de SEO acusavam. Tiramos. Regra duplicada é o jeito mais comum de criar uma corrente de dois ou três redirecionamentos, e cada salto a mais é tempo perdido para o visitante e para o Google.

DNS e e-mail: onde a migração derruba o que não devia

Trocar de hospedagem costuma envolver trocar os servidores de nome do domínio. É nesse momento que o e-mail da empresa para de funcionar, porque os registros de e-mail moravam na hospedagem antiga e ninguém copiou para a nova.

Dois cuidados resolvem isso. Anote todos os registros de DNS antes de mexer, principalmente os de e-mail. E reduza o tempo de cache do DNS alguns dias antes da virada, para que a troca valha para todo mundo em minutos, e não em horas.

O dia da virada

  1. Publique o site novo com os redirecionamentos já ativos.
  2. Teste uma amostra de endereços antigos, incluindo os que têm mais visita e mais link.
  3. Envie o sitemap novo no Search Console.
  4. Confira as ferramentas de medição. Site novo sem Analytics é uma migração às cegas.
  5. Guarde o site antigo. Backup completo e, se der, o servidor antigo ligado por alguns dias.

Se a troca for de domínio, entra mais um passo: a ferramenta de mudança de endereço do Search Console. Segundo o Google, ela só é necessária quando o site passa de um domínio ou subdomínio para outro.

Depois: o que acompanhar, e por quanto tempo

O Google avisa que é normal a posição oscilar durante a mudança. A documentação fala em algumas semanas ou mais para sites de porte médio começarem a aparecer com os endereços novos, e mais tempo para sites grandes.

Nas duas primeiras semanas, olhe todo dia para três coisas: erros 404, páginas indexadas e cliques por página. E mantenha os redirecionamentos. A recomendação do Google é deixá-los ativos pelo maior tempo possível, em geral por pelo menos um ano.

Página de erro 404 do gusta.click com a mensagem esta página não existe e links para início, Nola AI, blog e contato
Página 404 do gusta.click. Endereço que não existe precisa dizer isso, e oferecer um caminho de volta.

Uma dica de leitura dos números: não olhe só impressões. Na ENE2ESE, loja de pedras preciosas que é cliente da GUSTA, não houve migração, mas os dados do Search Console mostram bem o ponto. Comparando os últimos seis meses com os seis anteriores, as impressões caíram 19% e os cliques subiram 3,5%, porque a taxa de cliques passou de 0,8% para 1%. Na busca por "pedras preciosas", a posição média foi de 9,2 para 6,3 e os cliques cresceram 56%. Quem olhasse só impressões acharia que o site piorou.

Quando vale chamar alguém

Migração pequena, de hospedagem para hospedagem com os mesmos endereços, muita empresa faz sozinha. Quando muda plataforma, estrutura ou domínio, o custo de errar é meses de tráfego. Se o site novo ainda está no papel, o guia de criação de site para empresa mostra onde a migração entra no projeto. Para decidir o destino, veja o comparativo de hospedagem compartilhada, VPS e nuvem. E o acompanhamento depois da virada é assunto do guia de hospedagem e manutenção de site. Duas coisas aproveitam bem a mesma obra: conferir a acessibilidade do site, que fica mais barata de corrigir na troca, e entender quanto custa criar um site, para saber se a migração está no preço.

Perguntas frequentes

Trocar de hospedagem faz o site cair no Google?

Não deveria. Se os endereços continuam os mesmos e o site não fica fora do ar, o Google nem percebe a troca. O risco aparece quando a migração muda endereços ou derruba o site por horas.

Por quanto tempo preciso manter os redirecionamentos?

A recomendação do Google é mantê-los pelo maior tempo possível, em geral por pelo menos um ano. Para quem visita por um link antigo, vale deixar para sempre.

Posso redirecionar todas as páginas antigas para a página inicial?

Pode, mas perde quase tudo. O Google tende a tratar esse redirecionamento em massa como página que deixou de existir, e a autoridade das páginas antigas não é transferida.

Quanto tempo o Google leva para reconhecer o site novo?

Segundo a documentação, algumas semanas ou mais para sites de porte médio, e mais tempo para sites grandes. Oscilação de posição nesse período é esperada.

O e-mail da empresa corre risco na migração?

Corre, quando a troca envolve os servidores de nome do domínio. Os registros de e-mail precisam ser copiados para o novo DNS antes da virada.

Fontes

Recomendações consultadas em 7 de outubro de 2026: Google Search Central, mudança de site com alteração de URL e Google Search Central, redirecionamentos.

CTA

Vai trocar de hospedagem, de plataforma ou de domínio? Fale com a GUSTA antes da virada. A gente monta o inventário, o mapa de redirecionamento e acompanha o Search Console nas semanas seguintes.